O “Vale do Silício” é um termo usado para descrever a região sul da Baía de São Francisco, que – em razão dos investimentos de pesquisas militares, a Universidade de Stanford e alguns outros fatores –, se tornou o berço de inúmeras empresas focadas em tecnologia, como a Apple, Google, Intel e HP. Mas havia sempre um problema: como essas novas empresas, que muitas vezes nasciam em garagens ou dormitórios escolares, conseguiam crescer e expandir sua base de usuários sem, bem, dinheiro? Foi a partir dessa necessidade que começou a nascer o que seria chamado posteriormente de growth hacking.

O conceito parte de um princípio simples: usar a criatividade para gerar hipóteses (ex.: “será que se eu colocar um box de chat para responder dúvidas na minha página de produto eu terei um retorno maior em vendas?” ). Sendo assim, o growth hacker implementa essa proposição, sempre a custos mínimos – na maior parte das vezes utilizando serviços já disponíveis em outras startups, que os oferecem de forma gratuita por 7 ou 15 dias –, e usa um grupo de controle em um teste chamado A/B. Por exemplo, se o grupo com o box de chat passar a converter mais e seus custos forem acessíveis, a ferramenta passa a ser incluída de forma permanente no site. Outra forma muito comum foi a difusão e o estudo do SEO (search engine optimization).

Essa metodologia, de realizar pequenos testes e validações de hipóteses com custos mínimos ganhou o nome de MVT (Minimal Viable Test). E, a partir daí, o que era apenas uma forma improvisada de buscar crescimento, seja em número de usuários, engajamento, conexões ou  monetização, começou a ser estudada e organizada em uma série de melhores práticas. Em 2010, veio o termo, cunhado por Sean Ellis: growth hacking.

Ok. Vamos então a alguns exemplos de growth hacking realizado por empresas que se tornaram extremamente bem-sucedidas:

  • Airbnb: um dos maiores responsáveis pelo seu crescimento veio de uma ideia simples: integrar automaticamente a publicação de seus anúncios com a Craigslist (um site de classificados extremamente popular nos EUA, baseado no modelo de divulgação gratuita). Dessa forma, o Airbnb passou a ser divulgado em outra plataforma, promovendo o anúncio do usuário e por consequência do site em si.
  • YouTube: antes de ser comprado pelo Google e se tornar um referência em vídeos online, o YouTube era apenas um pequeno site, que buscava ser conhecido pelos usuários. O segredo veio ao criar um widget para o MySpace (então a maior rede social do mundo), que exibia uma seleção de vídeos escolhida pelo usuário. E o resto é história.
  • Hotmail: o popular serviço de e-mail, comprado posteriormente pela Microsoft, teve uma origem inusitada. Dois colegas de trabalho suspeitavam ter suas contas vigiadas pela empresa. Desconfiados, criaram a sua própria plataforma e, depois, decidiram torná-la pública. Mas o sucesso só veio quando eles decidiram fazer um pequeno “hack”: escrever no rodapé das mensagens enviadas a frase “P.S.: Eu te amo! Faça sua conta grátis no Hotmail”.

Hoje, a maior parte das empresas do Vale do Silício possui o seu departamento de growth hacking, desde o Uber (com o Andrew Chen, talvez a maior autoridade no tema atualmente: http://andrewchen.co/) até o Facebook. Esses departamentos trabalham com o marketing, de forma complementar, buscando sempre soluções inusitadas, simples e eficazes. E, pouco a pouco, começam a se expandir pra outras empresas e regiões, chegando inclusive ao Brasil, onde muitas startups e até companhias consolidadas começam a dar os seus primeiros passos em growth hacking.