Após fracassar com seu Fire Phone, a Amazon foi surpreendida no ano passado pelo inesperado hit de seu novo hardware: o Echo, que já vendeu mais de 4 milhões de unidades e se tornou uma das linhas mais promissoras e rentáveis da gigante do e-commerce.

O conceito é simples: uma caixa de som tubular que responde a um comando de voz. No caso, Alexa, a personalidade criada em torno do sistema. Algo semelhante ao filme Her, de Spize Jonze (mas sem a voz rouca da Scarlett Johansson – nem tudo é perfeito). A partir de um simples chamado, é possível realizar uma série de funções que tornam o seu dia a dia mais prático e divertido.

Steve Bezos se dedicou a fundo ao projeto. Quando lhe foi apresentado o primeiro protótipo do Alexa, o aparelho possuía um tempo de resposta de 3 segundos, o que era um grande feito (se levarmos em conta a complexidade do dispositivo). Insatisfeito, pediu para que baixassem a resposta (ou “tempo de latência”) para 1 segundo, algo próximo do impossível. Ainda assim, a equipe de engenheiros conseguiu cortar pela metade o tempo de resposta, atingindo 1,5 segundo. E Bezos só se convenceu depois de fazer um teste: em um quarto havia um Echo. Em outro, um universitário usando um computador com internet de altíssima velocidade. Ambos deveriam responder a comandos de um voluntário em uma sala.

Apenas após ver o Echo bater seguidamente o universitário, ele se convenceu de que o produto era viável.

Mas, enfim, veja alguns exemplos do que podemos fazer com o gadget:

  • Alexa, chame o Uber.
  • Alexa, como preparo um ceviche de salmão?
  • Alexa, quais são meus compromissos de hoje?
  • Alexa, cancele a reunião das 11 com o Marcos e inclua no mesmo horário uma com o Rafael.
  • Alexa, peça uma pizza Margherita.
  • Alexa, compre mais sabão em pó.
  • Alexa, toque músicas da Adele (para aqueles momentos de fossa – quem nunca?).

Ao simples comando de uma voz, uma luz se acende e o aparelho inicia uma conversa. Simples assim.  Semanalmente, novas funções são adicionadas, como integrações de aplicativos (já são mais de mil comandos). O sistema gradualmente vai se tornando mais inteligente. E mais pessoal, de acordo com seu histórico.

A Amazon não está sozinha nesse nicho. O Google já anunciou o Home, que deve se lançado no fim do ano. E há fortes rumores de que a Apple está desenvolvendo a sua própria versão do Echo, baseada na Siri, velha conhecida dos usuários de iPhone.

Qual a relevância disso para a publicidade?

Bem, a Alexa faz parte de uma tendência maior, a Internet of Things, que leva a conexão de dados a elementos como geladeiras, cafeteiras, máquinas de lavar, etc., e os integra com a internet.

Agora, imagine a quantidade de dados que são acumulados ao longo de meses, anos, com o uso de dispositivos desse tipo? É uma nova fase da computação (e da publicidade), na qual uma tela muitas vezes não é mais necessária (screenless interface), mas a coleta de dados é cada vez maior e mais estratégica. Com base na correlação desses dados, de forma anônima, começam a surgir novas formas de criar clusters, ultra-hipersegmentados e customizados, que levam a publicidade a um outro paradigma: deixar de lado o pensamento clássico de interrupção (ex.: incluir um spot de 15 segundos no Alexa) para uma abordagem mais prática: desenvolver aplicações úteis, que enderecem necessidades e problemas do seu target no dia a dia.

Claro, nada disso é fácil. Mas há um novo universo aberto a ser explorado para um novo modelo de relacionamento entre marcas e consumidores. E estamos apenas no começo.

Fascinante, não? 🙂